O local fica dentro do Parque Estadual Telma Ortegal, que tem 1,6 milhão de m². A estrutura que abriga os rejeitos foi projetada para resistir 300 anos intacta e preparada desastres como tremor de terra e queda de avião. O depósito do césio-137 tornou-se, então, o único depósito de lixo radioativo definitivo do Brasil.
Leide da Neves, a tia, Maria Gabriela, e os dois funcionários do ferro-velho, Israel e Admilson, são considerados as quatro vítimas diretas do acidente. Eles morreram semanas depois de serem hospitalizados e foram enterrados em túmulos especiais, também com concreto reforçado, no Cemitério Parque, em Goiânia.
Ao todo, estima-se que seis mil toneladas de material contaminado foram retiradas da capital, depositadas em tambores e enterradas em uma sede da CNEN em Abadia de Goiás, cidade que fica a cerca de 20 quilômetros de Goiânia. Na época, o pânico se espalhou no estado, e muitos temiam ir ao Centro de Goiânia.
Carlos de Figueiredo Bezerril – médico responsável pelo Instituto Goiano de Radiologia (IGR), onde a cápsula foi achada. Criseide Castro Dourado – médica responsável pelo IGR. Orlando Alves Teixeira – médico responsável pelo IGR.
Em setembro de 1987 aconteceu o acidente com o Césio-137 (137Cs) em Goiânia, capital do Estado de Goiás, Brasil.
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A tragédia envolvendo o césio-137 deixou centenas de pessoas mortas contaminadas pelo elemento e outras tantas com sequelas irreversíveis. No âmbito radioativo, o césio-137 só não foi maior que o acidente na usina nuclear de Chernobyl, em 1986, na Ucrânia, segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).
Leide das Neves foi enterrada no dia 26 de outubro de 1987, no Cemitério Parque, no Setor Urias Magalhães. Os gritos e ofensas dos que não queria que fosse enterrada lá ainda ecoam no cérebro de Lourdes das Neves.
Os primeiros sintomas da contaminação – náuseas, vômitos, tonturas, diarreia – apareceram algumas horas após o contato com o material. As pessoas procuravam farmácias e hospitais e eram medicadas como vítimas de alguma doença infecto-contagiosa.
Atualmente o local do maior acidente nuclear da história é aberto à visitação de turistas, com níveis de exposição à radiação controlados. Em 2019 a HBO lançou uma série sobre Chernobyl, na Ucrânia.
A solução, após a análise de oito locais em todo o Brasil, foi criar um depósito em Abadia de Goiás, na Região Metropolitana de Goiânia, que -- apesar da revolta da população local na época -- acabou se tornando o único depósito de lixo radioativo definitivo do Brasil.
Rejeitos. Após o acidente, o lixo foi levado para o CRCN-CO com previsão de permanência temporária. Porém, após dez anos, o depósito tornou-se definitivo.
O césio-137 é bastante perigoso para o ser humano porque emite partículas ionizantes e radiações eletromagnéticas capazes de atravessar vários materiais, incluindo a pele e os tecidos do corpo humano, interagindo com as moléculas do organismo e gerando efeitos devastadores.
Símbolo da tragédia com o césio-137, ocorrido há 30 anos, em Goiânia, a menina Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, foi uma das quatro pessoas que morreram por causa da contaminação com o material radioativo.
Passadas mais de três décadas, não há consenso sobre o número de vítimas do césio 137 em Goiânia. Oficialmente, quatro pessoas morreram por exposição excessiva à radiação, mas a quantidade de pessoas contaminadas ainda provoca discussão. O governo federal reconhece 120.
Embora o solo ainda seja improdutivo no local – e os cálculos estimam que a área só se torne habitável por humanos novamente daqui a 24.000 anos –, animais selvagens estão prosperando e aproveitando a natureza sem precisarem se preocupar com a interferência humana. Raposa avistada nos arredores de Chernobyl em 2017.
Oksana Masters, a superatleta paralímpica que sobreviveu a Chernobyl | Exame.
As entrevistas evidenciaram que as pessoas que tiveram alguma forma de contato com o elemento químico césio-137 ainda sofrem problemas de saúde, entre eles: radiodermite, queimaduras em várias partes do corpo, imunidade baixa, perda de cabelo, e a dificuldade para receber atendimento hospitalar.
A radiação pode provocar basicamente dois tipos de danos ao corpo, um deles é a destruição das células com o calor, e o outro consiste numa ionização e fragmentação(divisão) das células. O calor emitido pela radiação é tão forte que pode queimar bem mais do que a exposição prolongada ao sol.
Pele: ocorrem vermelhidão e queimaduras, mas a pessoa não sente calor ou um aumento repentino da temperatura. Medula óssea: há o rico de aniquilar a fábrica de células do sangue e de defesa. Isso abre alas para infecções oportunistas.
No início da madrugada do dia 26 de abril de 1986 acontecia o maior desastre nuclear da história. Um dos reatores usina nuclear da cidade de Chernobyl, no norte da Ucrânia, explodiu.
Maiores desastres ambientais do mundoBomba de Hiroshima e Nagasaki (Japão, em 1945) ... Explosão de Chernobyl (Ucrânia, em 1986) ... Fukushima (Japão, em 2011) ... Acidente radioativo em Goiânia (1987) ... Rompimento da barragem em Mariana (2015)
Se a contaminação não for alta, é realizado um processo de lavagem do corpo da pessoa com a utilização de água, sabão e vinagre. É importante levar em conta que os níveis de radiação presentes na água utilizada precisam ser controlados, uma vez que, após o processo, ela conterá radiação.
Exposição a níveis moderados de radiação - acima de um gray (a medida padrão da dose absorvida pelo corpo) - podem resultar em náusea e vômitos, seguidos de diarreia, dores de cabeça e febre.
O Césio 137, por ser radioativo, elimina radiação para atingir estabilidade, sendo a radiação beta a eliminada por ele. Ao eliminar a radiação beta ele se transforma no radioisótopo do elemento químico Bário, de massa 137 e número atômico 56, que emite radiação gama, transformando-se em um isótopo estável.